Adam Hempy, da Better Proposals
Episódio 001 do Founder Coffee

Eu sou Jeroen, da Salesflare, e este é o Founder Coffee.
A cada duas semanas, tomo café com um fundador diferente. Conversamos sobre vida, paixões, aprendizados… em um bate-papo íntimo para conhecer a pessoa por trás da empresa.
Neste primeiro episódio piloto, tive a sorte de conversar com Adam Hempy, da Better Proposals. Desde o ano passado, quando a Salesflare e a Better Proposals estavam no AppSumo ao mesmo tempo, conversamos regularmente e dá para dizer que nos tornamos amigos fundadores.
Adam é um dos fundadores de startup mais honestos, autênticos e determinados que conheço. Ele nunca hesita em dizer o que pensa, o que faz dele o convidado perfeito para esta série de conversas pessoais com fundadores.
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Transcrição
Jeroen: Oi, Adam! É ótimo ter você no Founder Coffee.
Adam: É um prazer estar aqui!
Jeroen: Para começar, para quem não conhece a Better Proposals: o que vocês fazem exatamente?
Adam: A Better Proposals ajuda freelancers, empresas de serviços… qualquer pessoa que escreva propostas ou orçamentos com frequência e os envie com o objetivo de conquistar novos negócios.
Ela poupa o trabalho e a dor de cabeça de criar tudo no Microsoft Word ou no Adobe InDesign, ou de usar a funcionalidade integrada de orçamentos do seu software de faturamento. Você deixa de precisar usar tudo isso e passa a enviar propostas que: A, têm uma aparência realmente profissional; B, economizam muito do seu tempo. E, por fim, os templates e toda a funcionalidade já incorporam muitas das melhores práticas de vendas.
Basicamente, isso significa que você consegue conquistar trabalhos muito mais rápido.
Jeroen: É isso aí.
Adam: E conquistar mais trabalhos também.
Jeroen: Então, resumindo: é a melhor ferramenta de propostas que existe?
Adam: Sim. Eu diria que sim. Seria meio estúpido se eu dissesse que não, não é?
Jeroen: O que fez você começar a Better Proposals? Quando isso aconteceu exatamente? No que você estava trabalhando?
Adam: Naquela época, tínhamos uma empresa de software. Entrávamos nas empresas, saíamos de lá com essas propostas e precisávamos passar vários dias escrevendo tudo.
Elas eram absolutamente enormes. Projetos de software de 30, 40, 50 mil libras. E fazia uma diferença enorme ganhar ou não um desses projetos. Porque, na prática, você só fazia três ou quatro projetos por ano. Se ganhasse um, isso mudava sua vida.
Jeroen: Entendi.
Adam: Na época, acho que eu fazia tudo isso no InDesign e passava vários dias trabalhando nessas propostas. Garantindo que estavam corretas. Garantindo que tinham uma boa aparência. E garantindo que o texto estava bom.
E então eu enviava a proposta e não ouvia nada. Eu pensava: “Ah, certo. Será que eles receberam?” Quer dizer, era um PDF de 20 megabytes. O que aconteceu? Será que ele sequer chegou? Será que ainda era cedo demais para fazer follow-up? Eu não tinha visibilidade nenhuma, não fazia ideia do que estava acontecendo.
A empresa teve um período de menor movimento. Eu disse à nossa equipe de tecnologia: “Olha, vocês podem simplesmente criar algo baseado na web? Algo que mostre quem abriu a proposta e o que essa pessoa viu. Assim vou saber quando eles receberem e poderei fazer o follow-up de acordo com isso.”
Nós fizemos isso. Obviamente, as primeiras versões eram bem improvisadas, muito ruins. Mas o conceito era muito bom.
Isso foi há cerca de cinco anos e meio. A ferramenta ficou ali como uma pequena ferramenta interna que usamos durante anos. Há cerca de quatro anos, começamos a desenvolvê-la como um produto de verdade, um projeto paralelo. E, dois anos atrás, deixamos todo o resto de lado e passamos a nos dedicar a ela em tempo integral.
Jeroen: Essa é uma história interessante. O que exatamente a sua empresa original fazia?
Adam: Bem, como você sabe, eu sou completamente autista, certo? Adoro lógica, adoro encontrar os pontos fracos das coisas e depois tentar descobrir como corrigi-los. Gosto muito de entrar em empresas diferentes, descobrir onde estavam as fraquezas administrativas e entender seus processos. Depois, nossa empresa de software criava algo que automatizava todos esses processos.
Durante esse processo, escrevi um livro chamado “Automate Your Business”. Ele teve um desempenho muito bom. Nós o usávamos como um “lead magnet”. Naquela época, imprimíamos o livro fisicamente e o enviávamos para as pessoas. Hoje, eles são PDFs. Mas é isso, nós realmente enviávamos o livro fisicamente para as pessoas. Isso funcionou muito, muito bem para nós.
Foi isso que fizemos durante vários anos. Entrávamos nas empresas, fazíamos todo tipo de pergunta. Descobríamos o que funcionava, o que não funcionava e depois corrigíamos todas as partes que estavam quebradas.
Jeroen: Era um produto SaaS ou um software on-premise?
Adam: Não, era um software sob medida. Personalizado para cada cliente.
Jeroen: Entendi. Você começou com isso.
Adam: Sim. Funcionou bem por um tempo, mas chegou a um ponto em que pensamos: “Certo, ou precisamos fazer esse negócio crescer muito, ou vamos ter que reduzir o ritmo, ou fazer alguma coisa para mudar isso. Porque ele está chegando aos limites em todos os aspectos.” E estávamos trabalhando demais, apesar de termos dinheiro em caixa.
Jeroen: A Better Proposals é a sua primeira empresa SaaS de verdade?
Adam: Hum, sim. A primeira que deu certo. Mas eu não diria que foi a primeira vez que tentamos criar um produto de software. Na verdade, já criamos vários. Para ser honesto, nunca tinha pensado nisso até você perguntar.
Criamos um produto chamado AddBook, que era um CRM realmente, realmente, realmente — todos esses produtos eram ruins, aliás, não teve nenhum bom — realmente, realmente, realmente simples. Era basicamente uma agenda de endereços com um campo de notas anexado a ela.
Suponho que a primeira versão do Better Proposals tenha sido um produto chamado SignTick. Era literalmente só o que hoje você conheceria como EchoSign, DocuSign ou HelloSign. Servia puramente para assinar documentos. Depois começamos a usá-lo para orçamentos e, no fim das contas, foi isso.
Agora que parei para pensar, antes disso tivemos o EasySite. Isso provavelmente foi há uns 12 anos. Era uma espécie de pré-WordPress, de certa forma. Você tinha essas coisinhas, arrastava tudo para dentro e criava um website.
Jeroen: Legal.
Adam: Relembrando o passado…
Jeroen: Como você acabou entrando em todos esses projetos de startup? Foi fazendo web design primeiro?
Adam: Sim, sim, foi isso. Comecei a criar websites quando era super, super, super jovem. E aí eram basicamente os pais dos meus amigos que precisavam de websites.
Jeroen: Com que idade você estava?
Adam: Eu tinha 14 anos.
Jeroen: Que engraçado. Eu também, na verdade. Comecei do mesmo jeito e com a mesma idade.
Adam: Sério?
Jeroen: Sim.
Adam: Hah, que legal. Lembro de ficar brincando com aquele programa… como se chamava? FrontPage? Microsoft FrontPage, era esse o nome?
Jeroen: Microsoft FrontPage, isso.
Adam: É esse mesmo?
Jeroen: Isso. Eu fiz a maioria dos meus websites em Flash naquela época, mas também usei o FrontPage.
Adam: Sim, lembro de ficar brincando com ele. Acho que um dos meus maiores feitos foi descobrir como fazer DHTML. HTML Dinâmico. Você podia fazer coisas atravessarem a página voando e todo tipo de maluquice. Era divertido demais.
Jeroen: Fazer esse tipo de projeto foi conquistando você aos poucos, não foi?
Adam: Acho que, em tudo isso, você faz as coisas com as melhores intenções, sabe? Se você não entra em algo assim com a intenção de que dê algum tipo de certo, então não vai fazer o que precisa ser feito para que aquilo tenha sucesso e realmente funcione.
Ao mesmo tempo, de um jeito estranho, fico quase feliz que algumas dessas coisas não tenham dado certo. Porque, de qualquer forma, se você pegar só o SignTick, o AddBook e o EasySite, essas três coisas, sem ter feito esses três produtos, o Better Proposals ou A, não existiria; ou B, se existisse, seria absolutamente horrível.
As assinaturas digitais eram um componente essencial do SignTick e hoje têm um papel muito importante no Better Proposals. É praticamente a mesma tecnologia.
A AddBook realmente nos ensinou muito sobre organização e estrutura. E também sobre como organizar informações em camadas e coisas desse tipo. Quer dizer, obviamente, vocês também passaram bastante por isso na Salesflare.
A EasySite simplesmente nos ensinou — estou tentando dizer isso sem fazer parecer horrível e ofensivo — mas lidávamos com clientes que realmente não sabiam o que era coisa alguma. Éramos as pessoas mais técnicas que eles conheciam. Eram o tipo de pessoa que colocava uma bebida no porta-CD, dentro do drive de CD. Eles diziam: “Encontrei o CD, o porta-copos, mas ainda não encontrei o drive de CD.” Essa era literalmente a nossa base de clientes na época. Estávamos desenvolvendo a EasySite para pessoas assim.
O que aprendemos com isso foi a realmente desafiar e questionar seu texto. Você não pode colocar informação demais; precisa mantê-lo curto e objetivo, … todas essas coisas. Há muito o que aprender com essas experiências, e eu não trocaria nenhuma delas. Embora nenhum daqueles três projetos tenha sido bem-sucedido, não os trocaria por nada neste mundo.
Jeroen: Entendi. Com todos esses projetos de startup, sua família influenciou você de alguma forma? Em que tipo de família você cresceu?
Adam: Minha mãe é professora. E meu pai é engenheiro. Não um engenheiro de programação. Ele conserta coisas para — gosto de dizer — um “traficante”, porque trabalha para uma empresa farmacêutica. Uma empresa legalizada. E, sim, ele conserta e faz a manutenção das balanças industriais e de todo o resto desse tipo na empresa.
Quando eu disse, aos 15 ou 16 anos: “Quero abrir minha própria empresa”, nenhum dos dois fazia ideia de que existia algo além de um trabalho das nove às cinco. Foi um pouco desafiador. Mas acho que hoje eles estão bastante convencidos de que eu estava certo.
Não faltava amor — havia muito amor —, mas não havia muita educação de qualidade do ponto de vista empresarial. Uma vez, cobrei 600 libras de alguém por um website; isso foi um aumento em relação às 300 libras, que era o meu preço. A reação da minha mãe foi: “Como você pôde cobrar tanto dinheiro de alguém? Você está explorando a pessoa. Está de castigo.”
Não foi exatamente um grande incentivo positivo para eu aumentar meus preços. Fiquei de castigo por aumentar os preços, o que significava que não podia participar de mais nenhuma reunião naquela semana.
Jeroen: Haha.
Adam: Um dilema.
Jeroen: O que você estudou no ensino médio? Algo relacionado?
Adam: Quando eu estava na escola, éramos a última turma que não tinha absolutamente nada de computação na educação. Fomos o último grupo a nunca ter isso. Eles nem sequer tinham uma qualificação para essa área.
Eu me saía muito mal na escola. Só tirava C e D em praticamente tudo. Minha mãe é professora, e eu chegava em casa com notas C e D. Ela não poderia ter ficado mais decepcionada comigo. É engraçado quando olho para trás.
Jeroen: Você já teve um “emprego de verdade”?
Adam: Sim, já tive alguns.
Meu primeiro emprego de verdade foi no Tesco. Para quem não conhece, é um supermercado. Acho que é como o Walmart. Basicamente, é o maior supermercado do Reino Unido. Eu organizava todas as revistas, as notícias, os jornais e coisas desse tipo. Separava tudo. Esse foi o meu primeiro emprego.
Fui demitido do Tesco por ser eficiente demais. Depois fui trabalhar no McDonald’s por cerca de uma hora e meia. Pensei: “Que se foda isso, de jeito nenhum.” Fui para lá porque não suportava a ideia de voltar para casa sem outro emprego, com medo de levar uma bronca. Só aguentei algumas horas. Saí. Depois passei alguns meses tentando conseguir clientes de web design.
Depois tive outros dois empregos. Um deles foi trabalhando com vendas em uma empresa de sinalização. Sinalização de lojas. Coisas desse tipo.
Foi bastante interessante. Isso me ensinou um pouco sobre empresas. A empresa tinha cerca de 12 a 15 pessoas. Era um tamanho interessante para uma empresa. Havia claramente um Departamento de Vendas, formado por mim e mais um cara. Depois havia a Equipe de Produção, que era dividida em duas partes. Foi interessante observar um processo ali. A empresa era pequena o suficiente para que todos conhecessem todos. Havia muita sobreposição de habilidades. Mas foi bastante interessante ver como uma empresa cresceu e dividiu os departamentos.
E o único outro emprego que tive foi há cerca de dez anos. Passei um ano trabalhando em uma empresa chamada Pure. É uma empresa de e-mail marketing. Ela vendia e-mail marketing para grandes empresas em uma época em que a MailChimp ainda não era a MailChimp.
Foi muito divertido. Aprendi muito sobre vendas lá e sobre como aumentar sua receita recorrente. Sobre o que leva as pessoas a tomar decisões. E sobre as melhores maneiras de vender software como serviço. Foi muito interessante.
Jeroen: Imagino. Falando sobre como fazer uma startup dar certo, de que outra startup ou fundador você se inspira — e por quê?
Adam: Boa pergunta. Acho que isso varia bastante. Percebo que as coisas importantes para mim nesta semana são diferentes das que eram importantes na semana passada. Acho que eu diria o pessoal da Basecamp. Eles provavelmente têm a mensagem mais consistente, que sempre esteve alinhada à forma como quero administrar minha empresa.
Eu realmente não acredito nessa história toda de VC. Acho que existem milhões de maneiras diferentes de fazer isso, e você não precisa seguir esse caminho. Obviamente, há exceções, mas, na maior parte dos casos, é perfeitamente possível crescer com recursos próprios. A ideia de não precisar trabalhar 160 horas por semana. De ter uma lista de coisas que você não fará, em vez de uma lista de coisas que você fará. Coisas assim sempre fizeram sentido e, se eu tivesse que escolher alguém para admirar, seriam Jason Fried e David Heinemeier Hansson, da Basecamp.
Mas acho que, em um nível um pouco mais macro, isso muda com muita frequência, porque o principal aspecto de trabalhar em uma empresa de SaaS é que tudo muda muito, muito, muito. Contratar e terceirizar nem sequer eram uma preocupação remota para mim seis a oito semanas atrás. Agora, são literalmente as únicas coisas que estou fazendo.
Jeroen: Eu entendo perfeitamente.
Adam: É impressionante como tudo muda rápido. Se você ficar preso ao que uma pessoa ou uma empresa está ensinando, talvez não consiga absorver as coisas que precisa entender. É bom manter a mente aberta e buscar informação quando você precisar dela.
Jeroen: Você tem razão. Pelo que entendi, você está mais interessado em ter uma startup que cresça com recursos próprios do que em uma financiada por VC. É isso mesmo?
Adam: Sim, sim, é isso. Adoro a ideia de ter controle. Se decidirmos levar nosso produto em uma direção um pouco diferente, não quero ter que obter a aprovação de 16 camadas da gestão de Venture Capital.
Também não gosto do caminho para o qual o mundo do VC leva você. Quando você aceita investimento, geralmente está se comprometendo com um determinado conjunto de coisas. Você precisa trabalhar para chegar a uma grande saída. Isso significa vender a empresa, abrir o capital ou fracassar. E é basicamente isso.
Não existe um meio-termo em que todo mundo fique feliz com um crescimento saudável e consistente. Em que você possa aumentar sua equipe conforme precisar. Em que todos tenham uma vida boa. Uma vida em que ninguém trabalhe demais, mas em que todos continuemos nos desafiando.
Aparentemente, não existe esse conceito no mundo do VC. É tudo “vá com tudo ou vá para casa”, por qualquer meio necessário, e pronto. Isso não combina muito comigo, talvez porque eu já seja um homem velho… Talvez isso fosse legal para a minha versão de 24 anos, mas, aos 33, não quero mais ter um chefe.
Jeroen: Você prioriza mais o estilo de vida do que construir algo grande?
Adam: Acho que dá para fazer as duas coisas. Não acho que seja uma coisa ou outra. Acho que você pode ter uma vida ótima, fazer as coisas que quer fazer e ainda assim construir um negócio excelente.
Quer dizer, sim, é claro que talvez não seja tão rápido. Se você vai seguir o caminho de crescer com recursos próprios, precisa aceitar essa parte. Vai ser mais lento do que se você tivesse 10 milhões de libras para gastar. É óbvio que você conseguirá fazer as coisas mais rápido se tiver uma grande quantia de dinheiro no banco.
Mas não vejo por que isso precisa ser uma escolha. Quer dizer, algo que é extremamente importante para mim é garantir que eu tenha um verão tranquilo e agradável. Gosto de festivais. Gosto de viajar e passar tempo com meus amigos em diferentes partes do mundo. Isso é superimportante para mim.
Se eu tivesse uma empresa financiada por venture capital, isso praticamente não existiria. Não há como você chegar para qualquer investidor de VC e dizer: “Sim, está tudo bem. Vou passar o verão curtindo a vida na Itália ou na Croácia. Vejo vocês no fim de agosto.” Isso não vai acontecer. Não vai colar, e você não teria como convencer ninguém de que essa é uma boa maneira de administrar uma empresa. Mesmo não havendo nada de errado com isso.
Não sei. Eu sou assim. Acho que dá para fazer as duas coisas.
Jeroen: Então você ainda pretende transformar a Better Proposals em uma empresa grande?
Adam: Sim, acho que sim. Quer dizer, não é que eu queira simplesmente manter a empresa o menor possível, mas não quero crescer sem necessidade.
Acho que muita gente pensa em empresas bootstrapped e logo pensa em “empresas pequenas”. Não acho que isso esteja necessariamente certo. Existem muitas, muitas, muitas empresas bootstrapped que são gigantescas.
Talvez dois dos maiores exemplos sejam MailChimp e Basecamp. Quando você pensa em “gerenciamento de projetos”, pensa em Basecamp. Quando pensa em “marketing por e-mail”, pensa em MailChimp. Nenhuma das duas captou investimento.
O que elas têm em comum? Nenhuma das duas alterou o próprio negócio. Elas alteraram a forma como fazem as coisas. Elas se adaptaram. Mas não alteraram os fundamentos, que são: “Somos uma empresa de marketing por e-mail. Estamos aqui para simplificar o e-mail.” O e-mail não vai desaparecer. Gerenciar projetos também não.
Acho que essas duas empresas podem ser uma inspiração maior para os fundadores do que imaginamos, porque elas estão simplesmente fazendo as coisas do jeito certo. Sem crescer rápido demais, sem necessidade.
Sim, elas cresceram rápido. Sim, são empresas grandes, mas não cresceram rápido demais sem necessidade.
Jeroen: Entendi. Interessante.
Agora, se você ganhasse na loteria amanhã, ainda continuaria trabalhando na Better Proposals?
Adam: Com certeza. Não consigo pensar em nada que eu preferisse fazer.
Isso pode parecer loucura, mas eu não mudaria nada. Provavelmente me mudaria para outro lugar, viveria em um lugar um pouco diferente. Talvez construísse a casa dos meus sonhos e tivesse a estrutura de trabalho perfeita, mas não mudaria meu dia a dia.
Faz muito tempo que não preciso colocar um despertador. A única situação em que coloco um despertador é quando vou me levantar para viajar nas férias. Adoro essa liberdade. Adoro a ideia de que, se chegarem dez e meia da noite e eu pensar: “Ah, quer saber? Estou sentindo que vêm aí umas quatro horas de produtividade. Vamos nessa”, tudo bem. Quero que isso seja possível, sem precisar pensar: “Merda. Tenho que levantar e chegar ao escritório antes das oito amanhã”.
É estabelecer pequenas regras, como nunca atender uma chamada antes das 11 da manhã. Isso porque sei que nunca dormiria até tão tarde. E, se eu decidir trabalhar até mais tarde ou algo assim, não vou querer que outra pessoa fique acordada, reorganizando a própria agenda por minha causa.
Isso também me permite fazer as coisas pela manhã. Então, sei lá. É simplesmente criar pequenas regras para você. Você não precisa levar isso ao extremo, mas acho bom perceber que você está no controle do seu próprio dia.
Jeroen: Com o que você passa a maior parte do seu tempo de trabalho hoje? Como é o seu dia?
Adam: Nas últimas semanas, tenho passado mais tempo escrevendo instruções para outras pessoas e distribuindo outras tarefas.
Sou designer de formação, então faço tudo que envolve design. Tudo que envolve marketing ou redação geralmente fica comigo. E minha cofundadora, Sabrina, cuida basicamente de tudo que é relacionado a desenvolvimento e produto. Ela também toca as próprias atividades.
No meu caso, é principalmente escrever. É design. É melhorar as coisas, revisitar decisões que tomamos há cerca de seis meses e passá-las pelo filtro. Isso ainda faz sentido? Essa ainda é a melhor forma de explicar isso, considerando meu novo entendimento sobre o que os clientes querem e as perguntas que recebemos todos os dias? Isso ainda é relevante?
Por exemplo, acabamos de refazer todos os nossos templates. Cada um deles. Custou uma fortuna, mas valeu muito a pena. Tudo começou quando simplesmente abrimos os templates e olhamos para eles, pensando: “Este é o melhor anúncio possível para a nossa empresa? Se eu estivesse tentando vender isso para alguém e só pudesse mostrar uma coisa, seria esta?” E a resposta foi “não”. Isso me levou a revisar tudo e entrar em contato com alguns designers que eu conhecia, dizendo: “A partir daqui, é com você. Pode se soltar e deixar tudo isso o mais bonito possível”.
Jeroen: Então você está numa fase em que está trabalhando em otimização, em vez de realmente forçar o crescimento?
Adam: Acho que grande parte é a mesma coisa. Reestruturei a homepage alguns fins de semana atrás, e parece que a conversão dos visitantes aumentou cerca de um ponto percentual, o que é bom.
Você precisa revisar e analisar essas coisas constantemente. Otimização e crescimento são, de certa forma, a mesma coisa. Você pega algo que já existe e melhora, ou olha para o que não está fazendo e melhora por esse caminho.
A única coisa que às vezes acho um pouco difícil é essa “ausência de lista”. Sempre existe uma lista de coisas para fazer. Sempre. Você pode estar se colocando sob uma pressão desnecessária ao pensar: “Ah, temos que fazer isso. Temos que fazer aquilo.” Você não precisa. Raramente qualquer uma dessas coisas realmente faz você avançar em direção aos seus objetivos. Muito raramente isso muda tanto o jogo. É isso que estou percebendo.
Jeroen: Entre você e sua cofundadora, normalmente é você quem pisa no freio ou quem pisa no acelerador? Quem diz não às coisas ou quem diz “nós absolutamente temos que fazer isso”?
Adam: Acho que é um pouco dos dois. Eu leio bastante. Mais ideias entram na minha cabeça do que na cabeça da Sabrina. Não digo isso de forma negativa. É só que me exponho a coisas que provavelmente influenciam a direção da empresa. Leio muitos blogs. Leio algumas comunidades. Ela não faz tanto isso. Ela recebe a minha versão filtrada de tudo isso.
Normalmente, sou eu quem diz: “Vamos fazer isso. Vamos fazer isso. Vamos fazer isso.” Muitas vezes, se eu parecer empolgado o suficiente, consigo convencê-la de que é uma boa ideia.
Mas é muito bom e importante ter alguém que faça contrapontos a algumas das suas ideias. As coisas precisam conquistar seu espaço. Pode ser uma nova funcionalidade, uma nova pessoa na sua empresa, um novo canal de marketing… Pode ser qualquer coisa. Mas, se for algo que você nunca fez antes, precisa lutar pelo seu espaço. Tem que ser algo que faça diferença.
Acho muito importante ter alguém na sua empresa, ou próximo dela, que possa fazer contrapontos. Alguém que não tenha medo de questionar nem mesmo as melhores ideias.
Jeroen: Falando sobre manter as coisas em equilíbrio, como você administra o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal? Você trabalha até muito tarde? Ou estabelece um limite? Onde você estabelece esse limite?
Adam: Eu não estabeleço limites. Nunca estou realmente trabalhando por completo nem totalmente desligado. Posso ir praticar snowboard e verificar o Intercom no teleférico. Ou posso estar trabalhando e jogar FIFA ao mesmo tempo. São coisas bobas assim.
Acho que isso provavelmente é causado pelo fato de eu trabalhar de casa. Trabalho na minha sala de estar. Mas essa é uma escolha. Eu poderia alugar um escritório. Da última vez que fizemos isso, simplesmente não achamos que éramos mais produtivos do que em qualquer outro lugar. Então não fizemos mais isso.
Somos uma empresa remota. Temos pessoas no Brasil, nos Estados Unidos, em toda a Europa e em vários outros lugares, então de qualquer forma não haveria um lugar centralizado que pudesse existir.
Acho que minha capacidade pessoal de separar o trabalho da minha vida de lazer é bastante limitada. Provavelmente é uma das coisas em que sou pior.
O único momento da semana em que eu realmente, de verdade, separo completamente o trabalho da minha vida de lazer é quando jogo futebol. É isso. É a única ocasião. Tenho uma hora por semana em que fico completamente desconectado. Sem telefone. Sem nada.
Jeroen: Para os americanos, isso é soccer?
Adam: Sim, exatamente. Soccer para os americanos. Passo a maior parte do tempo no gol, ficando com frio.
Jeroen: Você é goleiro?
Adam: Sou goleiro, sim.
Jeroen: Legal.
Adam: É, não estou em forma o suficiente para ser jogador de linha.
Jeroen: É assim que você se mantém em forma mental e fisicamente? É o futebol? Ou existem outras maneiras de administrar seus níveis de estresse?
Adam: Acho que, para a maioria das pessoas, a maior parte das causas do estresse está relacionada a dinheiro. É a primeira e principal causa de estresse. Mas, além disso, não sei. Acho que isso se resolve por si só quando você tem uma empresa lucrativa e receitas recorrentes.
Muita coisa teria que dar errado para entrarmos em apuros. É surreal. Não vou dizer que isso nunca vai acontecer, porque provavelmente vai acontecer em algum momento. É isso que me mantém com os pés no chão.
Quando se trata de gerenciar de fato os níveis de estresse, não sinto que fique estressado. Gosto de tudo o que estamos fazendo. Talvez um pouco de estresse fosse bom para mim, porque provavelmente eu me cobraria um pouco mais.
Jeroen: Parece que você estruturou sua empresa de uma forma que minimiza os níveis de estresse, porque, assim que você envolve investidores de capital de risco ou começa a contratar mais pessoas, é aí que o estresse realmente começa.
Adam: Concordo totalmente. É engraçado. Nas últimas semanas, tenho ficado sentado trabalhando em alguma coisa e pensando: “Ah, o que será que ele ou ela está fazendo?”. Há todas essas tarefas que comecei a atribuir a outras pessoas. Eu não tinha esses problemas três meses atrás. Eu simplesmente cuidava das minhas coisas e pronto. Agora, porém, comecei a terceirizar muita coisa e estou tentando liberar meu próprio tempo para poder ser um pouco mais eficaz nas áreas que precisam de atenção.
Eu nem chamaria isso de estresse, mas é outra preocupação. É outro pensamento que eu não tinha e que aparece de vez em quando. Eu não chamaria isso de estresse, mas com certeza é mais uma coisa em que pensar — e acho que isso está aumentando. Não está?
Pensando bem, você levantou um ponto muito bom. Nós simplesmente estruturamos as coisas de uma forma que não incomoda muito. É realmente uma espécie de ambiente livre de estresse.
A coisa mais estressante que aconteceu recentemente foi o nosso servidor ficar sem espaço em disco no meio da noite. Ele caiu. Estranhamente, acordei e olhei para o telefone. Você pode me criticar por achar ruim ficar olhando o telefone, mas dessa vez isso foi bom. Peguei o telefone e vi um e-mail da empresa de hospedagem dizendo: “Seu espaço em disco está em 95%”. Depois, ele passou direto do limite. De uma forma estranha, esse provavelmente foi o maior episódio de estresse que vivi nos últimos dois, talvez três anos.
Jeroen: Além de futebol e trabalho, com o que você gosta de passar seu tempo?
Adam: Não sei, porque não assisto a filmes. Eu assisto a futebol. Sou um grande torcedor do Barcelona.
Que tal esta como regra para o equilíbrio entre vida pessoal e profissional: não faço nada se entrar em conflito com um jogo do Barça. No meu calendário, tenho todos os jogos de futebol do Barcelona. Se alguém quiser fazer uma chamada, não estou disponível porque está passando um jogo. Não consigo. Não existe nenhuma possibilidade de eu perder um jogo do Barcelona.
Na verdade, eu não me importaria de perder um jogo de vez em quando. É algo que decidi ser importante, e esse deve ser o ponto de corte. Se eu me importo ou não com aquela partida específica é irrelevante. O mais importante é o fato de existir aquele período em que ninguém consegue falar comigo.
Além disso, faço muitas viagens e tiro bastante férias. É algo pelo que fico esperando. Sempre há alguma coisa na agenda.
Prefiro viagens longas e boas. Faço isso em vez de viajar por três dias e depois fazer uma escapada para alguma cidade ou coisa parecida, como quando visitei você e a equipe da Salesflare outro dia. Essa foi a viagem mais curta que fiz em muito tempo. Foram apenas cinco dias. Isso é bem raro para mim. Normalmente, as viagens são muito, muito, muito mais longas, e faço questão de conseguir trabalhar e cuidar das minhas coisas enquanto estou fora. Tento combinar as duas coisas, na verdade.
Jeroen: Se você vendesse a Better Proposals por uma fortuna e pudesse passar a vida do jeito que quisesse, você viajaria? Ou o que faria?
Adam: É, veja, não sei. Realmente não sei. Acho que teria que fazer algo parecido com o que faço agora, porque... não sei.
Para mim, o dia perfeito precisa incluir algo que me tire de casa. Preciso fazer um trabalho significativo e levar alguma coisa adiante.
Também preciso fazer algo completamente desconectado do trabalho. Pode ser assistir por 20 minutos a um programa rápido na TV, jogar futebol ou assistir a um jogo de futebol. Ver minha família, sair para tomar um café em algum lugar, fazer alguma atividade física, ficar ao ar livre, levar o trabalho adiante de uma forma ou de outra e depois ter alguma interação social com alguém — uma conversa rápida com um amigo ou trocar mensagens com uma garota. Algo que não tenha absolutamente nada a ver com trabalho e seja totalmente social.
Estou tentando fazer o máximo possível dessas pequenas coisas em um único dia. Se você passa dias demais seguidos sem fazer qualquer uma delas, a vida começa a ficar um pouco estranha.
Jeroen: Onde você mora?
Adam: Estou em Brighton.
Jeroen: Pelo que Brighton é conhecida?
Adam: Brighton é conhecida pelos gays. É conhecida por ser um lugar meio estranho, digamos, excêntrico. Não é nada completamente fora do normal andar pelo centro de Brighton e encontrar alguém com cabelo verde espetado, meia-calça rosa e barba. Isso não é tão estranho em Brighton.
Jeroen: Fica no litoral, certo?
Adam: É. Para quem não conhece, se você sabe onde fica Londres, basta traçar uma linha diretamente para baixo a partir de Londres até chegar ao mar. Essa é Brighton.
Jeroen: É um bom lugar para ter sua startup?
Adam: É. A gente não aproveita nem de longe tudo o que a cidade oferece, mas o Brighton SEO é uma das maiores conferências de SEO do mundo. Ela acontece a cerca de oito minutos de onde eu moro.
Tenho certeza de que há várias pequenas comunidades de startups e coisas do tipo em Brighton com as quais poderíamos contribuir e das quais poderíamos participar, mas, de alguma forma, não estou aproveitando isso.
Jeroen: Há outras startups legais, sediadas em Brighton, que deveríamos conhecer?
Adam: Há uma publicação de mídia chamada Happy Startup School. O pessoal de lá administra um espaço de coworking, mas também organiza conferências e coisas do tipo. Pequenos retiros e coisas assim. É bem legal.
Há algumas agências grandes. A Fresh Egg é uma agência grande. Ela fica em Worthing, que está a cerca de oito quilômetros na direção oposta de Brighton.
E há também o software de contabilidade Kashflow. O Xero praticamente tomou o lugar deles agora. Eles têm um logo rosa. Eram realmente, realmente, realmente grandes alguns anos atrás. O fundador da Kashflow mora em Brighton.
Jeroen: Vamos encerrar com alguns aprendizados.
Qual foi o último livro bom que você leu? Por que escolheu lê-lo?
Adam: Faz muito tempo que não leio um livro. Mas meu livro de negócios favorito é Rework. O livro do pessoal da Basecamp. De longe, é meu livro favorito.
Jeroen: Por quê?
Adam: Porque tudo ali é aplicável. Não há absolutamente nada de enrolação. São todos ensaios curtos. É como ler 25 posts de blog. Cada um apresenta uma ideia completamente independente. Você pode concordar ou não com ela.
Rework é um bom livro. Ele gira em torno de um tema simples: repensar a maneira como você trabalha. É isso. O título não poderia ser mais direto. É super fácil de ler. Rápido de ler. Bem apresentado.
Jeroen: Que engraçado. Na verdade, quando começamos com a Salesflare, o primeiro livro que meu cofundador, Lieven, e eu lemos foi Getting Real, também do pessoal da Basecamp. No início, ele foi nosso manual e nos mostrou como poderíamos começar o negócio.
Adam: É, a gente faz exatamente a mesma coisa. Getting Real é brilhante. E Rework também é bom. Aliás, eles vão lançar um livro novo em breve.
Jeroen: Legal, nunca li Rework. Vou dar uma olhada.
Adam: Faça isso, cara. É um livro realmente ótimo. Grande parte dele é, se você tem acompanhado esses caras, algo bem padrão.
Não faça reuniões. Você trabalha melhor onde trabalha melhor. Esse tipo de insight.
Isso provavelmente ecoa muito do que temos conversado hoje.
Jeroen: Há alguma coisa que você gostaria de ter sabido quando começou?
Adam: É bem difícil, porque, naquele momento, você só sabe o que sabe. Eu acredito firmemente que você deve saber das coisas quando chegar a hora certa de saber. Contar essas coisas antes da hora não ajuda muito.
Quero dizer, sim, não sei. Há muitas coisas para as quais eu olharia hoje e diria: “Ah, se eu tivesse feito isso antes, teria sido melhor”.
Recentemente, começamos a prestar atenção às páginas de comparação com concorrentes. Teria sido ótimo se tivéssemos feito isso um ano atrás. Mas, na verdade, só agora chegamos a um ponto em que nossa marca é forte o bastante para entrar de fato nas mesmas conversas que alguns desses caras, então não faria muito sentido fazer isso antes.
Parece muito estranho e meio excêntrico, mas, nesse sentido, tudo acontece por uma razão, e você aprende as coisas quando chega a hora certa de aprendê-las. Você está avançando o tempo todo.
Certamente há coisas que você poderia fazer antes. São coisas bobas, cara, tipo: eu gostaria de ter marcado determinadas coisas no Intercom antes. Não faço ideia de quem tem qual modelo. Isso não me ajuda a definir a meta. Pequenas coisas assim. Mas não há nada realmente importante.
Se alguém tivesse me dito: “Ah, você deveria fazer X”, provavelmente eu não teria feito mesmo assim.
Jeroen: Se você começasse de novo, haveria alguma coisa que faria de maneira significativamente diferente ou você seria do tipo “sem arrependimentos”?
Adam: Não há nada que se destaque como algo significativo, do tipo: “Ah, desperdiçamos completamente um ano com isso ou aquilo”.
Acho que tive uma ideia muito clara de onde queria levar este negócio desde o começo. Eu sabia, muito, muito, muito cedo, o que queria. Renda automatizada.
Precisava ser baseado em pessoas comprando um produto ou algo desse tipo. Só isso. Não deveria depender do meu tempo nem do tempo de qualquer pessoa que eu estivesse pagando. Isso era muito, muito importante para mim. Tudo o que fizemos como empresa nos últimos 10 anos foi se encaminhando para esse ponto.
Passamos de criar sites para criar software, depois para desenvolver o produto Better Proposals e, finalmente, encerrar todo o resto.
Acho que, se tivéssemos feito qualquer uma dessas coisas antes, teríamos sido imprudentes. Se tivéssemos encerrado nosso negócio de serviços para clientes muito cedo, não teríamos tido dinheiro para desenvolver Better Proposals da maneira como fizemos. E, se não o tivéssemos desenvolvido com a qualidade que alcançamos, ele não seria o produto que é hoje e não teria conseguido suportar as cerca de 5.000 pessoas que trouxemos com o AppSumo, além dos vários milhares de outras que conquistamos desde então e também antes disso.
Não teríamos feito um trabalho tão bom em nada disso. Então, sim, não quero sair por aí dizendo: “Ah, nunca cometemos erros”. Claro que cometemos… Mas, em termos de processo geral, acho que acertamos bastante.
Jeroen: Última pergunta: qual foi o melhor conselho que você já recebeu?
Adam: Não sei se foi um único conselho que alguma pessoa me deu, mas simplesmente não faça coisas que você não quer fazer. Bem, às vezes você precisa fazer, mas essa seria a ideia geral. Se você vai fazer uma coisa ruim que vai levar a 10 coisas boas, talvez valha a pena.
Dito de uma forma melhor: não faça de maneira consistente, por qualquer período de tempo, algo que você não quer fazer, porque simplesmente não vale a pena. Isso drena toda a sua criatividade. Drena toda a sua energia. Fazer coisas que você não quer fazer suga sua alma.
Tenho um respeito enorme por qualquer pessoa que esteja construindo um negócio paralelo além do trabalho do dia a dia. Passar pelo expediente das nove às cinco, sair do trabalho exausto e depois chegar em casa para começar a programar ou fazer marketing de um novo projeto, escrever ou seja lá o que você estiver fazendo... fazer isso depois de ter sua energia sugada o dia inteiro é algo realmente impressionante. Respeito enorme por qualquer pessoa que esteja fazendo isso. Tenho quase certeza de que, neste momento, eu não conseguiria.
Só não faça algo que você não quer fazer. Essa provavelmente é a principal coisa que eu diria. Todo o resto parte daí. Lembre-se: sua vida é sua. Tente não ter coisas demais puxando você para uma direção que não é a que você quer seguir.
Tive muita sorte porque tenho uma cofundadora incrivelmente solidária, que sabe quando embarcar nas minhas ideias mentais estúpidas e quando dizer: “Adam, pare de ser tão idiota.” Graças a ela, encontrei esse equilíbrio. Ter boas pessoas ao seu redor é muito importante. Sou muito grato por isso.
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